terça-feira, 7 de outubro de 2014

Laura em rabiscos *-*-*

Sempre chego aqui, de frente ao computador ou com a caneta na mão, sei o que quero escrever. Bom, na verdade quero escrever muita coisa, sempre. É o tempo, o amigo, a viagem, pessoas importantes, meu choro, meu amor, meu riso, meus problemas, minha raiva, minha dor... São tantas as opções que me perco. São tantos pensamentos correndo de um lado para o outro na minha cabeça que nem sei por onde começar. Não acho difícil escrever, pelo contrário, é uma dádiva, um alívio, um minuto de paz em meio ao caos, mas, ao mesmo tempo, o caos em meio a quietude. Uma serenidade, um turbilhão. Uma certeza, várias dúvidas. Escrever é esvaziar-se e encher-se. E quem gosta de esvaziar-se? Expor, vulnerabilizar-se, diminuir-se ao mesmo tempo que engrandece cada pequeno detalhe. Escrever é cuspir sangue em uma folha meio amassada em um canto escuro ao mesmo tempo que é deixar sair aquela chaga que te trava a garganta, ou a explosão de alegria que requer muito mais que gritos, pulos, sorrisos. Escrever é ter vontade de transmitir sorriso em palavras ao mesmo tempo que grita por socorro para um leitor sensível. Mas, onde eu estava mesmo? Ah, sim, como tem um turbilhão de pensamentos correndo pelos meus neurônios. Talvez minha maior dificuldade seja começar - a escrever. Tenho em mente o que quero falar, mas, por querer falar, falo rápido demais e não consigo desenvolver. Meu texto fica em um parágrafo. Eu fico frustrada por não conseguir prosseguir. Desisto, mas quem disse que a ideia sai da minha cabeça? Ah, o tempo. Vai, vem. Leva, traz... Espero? E, olha, já quero escrever sobre o tempo (de novo). E aqui escrevo sobre como é escrever e, bem, já fiz um parecido. Sinto esse texto como uma conversa entre eu e você aí. Mais informal, mais amizade. Sabe, às vezes acho que nem escrevo lá grandes coisas. Isso normalmente acontece quando termino um texto. Acho que esse está ruim, não queria postar, mas precisamos conversar. Estou me expondo, esvaziando. Estou vulnerável, dando a cara a tapa. Aiai, o escrever... Paro por aqui, senão rende conversa pela madrugada a fora. - Laura Noelli